África: Testemunho de Herman Kalungi

Chamo-me Herman Joseph Kalungi e sou sacerdote da Diocese de Masaka, no Uganda. Logo a seguir à minha ordenação, no dia 14 de dezembro de 2013, o meu Bispo, o Revo John Baptist Kaggwa, destinou-me à paróquia de São João Baptista de Makondo, ou simplesmente a paróquia de Makondo, como vigário paroquial e capelão das escolas. Éramos três sacerdotes na paróquia: o pároco, o primeiro vigário paroquial e eu. Trabalhei nesta paróquia até agosto de 2015.

Makondo encontra-se a 40 km ao Sul de Masaka. Tem um território de 400 km². Desde a igreja onde há Missas diariamente, até aos extremos da paróquia são 25 km, o que é muito para a maioria dos fiéis, adultos ou crianças, que só contam com os pés como meio de transporte. A paróquia está dividida em 14 zonas, cada uma com a sua capela, onde, conforme o programa dado pelo pároco, se celebra a liturgia da palavra todos os Domingos e a Santa Missa uma vez ao mês.

Segundo a estimativa do pároco, há aproximadamente 20.000 fiéis católicos em Makondo, num total de 25.000 habitantes, e segundo as minhas próprias estimativas, nas escolas havia entre 9.000 e 10.000 crianças. Mais de 75% destas pessoas têm menos de 25 anos, porque, por um lado, graças a Deus, há uma alta taxa de natalidade, mas, por outro, infelizmente, há também uma alta taxa de mortalidade, devido à SIDA, da malária e de muitas condições cujo nome genérico e justíssimo é “pobreza”. Uma boa percentagem destes jovens são órfãos. As pessoas trabalham geralmente no campo, que produz banana e outros cultivos que servem para a própria alimentação e para venda.

Embora não sejam ricos, os fiéis de Makondo são muito simples, felizes, laboriosos e generosos. Graças á sua generosidade nunca me faltou nada nos dois anos que vivi entre eles; deram-me a maior parte do dinheiro com que me mantive e que usei no trabalho pastoral e no apostolado. Apesar dos problemas morais que existem, como em qualquer sociedade, são muito piedosos e têm muitas virtudes humanas e cristãs. Como segundo ajudante do pároco, celebrava Missa ao Domingo em duas das capelas, e ajudava noutras celebrações litúrgicas quando não estava nas escolas; escutava confissões, sobretudo durante a Quaresma e no Advento; nas grandes festas podia celebrar em três capelas; participava na programação das atividades pastorais; estava encarregado da juventude; e, sempre que era necessário, fazia a unção dos doentes e presidia à celebração dos funerais.

Mas tornei-me especialista no trabalho de confessionário. Ao aperceber-me de que era muito difícil, para os nossos paroquianos, caminhar aquelas distâncias tão longas, procurei aproximar este serviço. Assim, sempre que tinha oportunidade de celebrar a Santa Missa nalguma das nossas capelas, procurava chegar pelo menos meia hora antes para se poderem confessar aqueles que quisessem, e depois da Missa ficava a confessar até que tivessem acabado aqueles que não se puderam confessar antes. Durante a Missa consagrava um número suficiente de partículas que permitisse que aqueles que não puderam confessar-se pudessem comungar depois. Após acabar as confissões celebrava o rito da Comunhão fora da Missa. Assim cheguei a confessar mais de 400 pessoas por semana.

O encargo a que dediquei mais tempo foi o da capelania das escolas. Em Makondo havia 40 escolas. Todas, exceto três, eram da primária. Vinte seis destas escolas são propriedade de pessoas particulares e 9 são da Igreja; para estas últimas, além de ser capelão, era também o supervisor diocesano. Há também 3 escolas anglicanas e 2 de uma fundação muçulmana. Com o grande desejo de aproximar as crianças e os adolescentes de Jesus, dediquei 4 dias à semana – de terça a sexta-feira, porque a segunda-feira era o meu dia de descanso e dedicava-o a ir a Kampala para a minha própria formação, confessar-me e receber direção espiritual – às escolas. Assegurava que cada escola tivesse pelo menos uma visita ao mês, e para as dos mais velhos, uma vez à semana.

Havia muita coisa a fazer em cada visita, mas entre as coisas mais importantes estava um encontro com todos os alunos para lhes falar de Deus, confessá-los e depois celebrar a Missa. Uma vez ao ano organizava-se a Primeira Comunhão em cada escola. Dedicava o sábado à catequese para o Crisma na sede da paróquia. Participavam cerca de 400 crianças; resolvi celebrar a Missa e ouvir confissões, sempre que houvesse catequese: aos sábados durante o tempo de escola (de terça a sexta durante as férias escolares). Não me parecia que fosse possível formar os meninos numa autêntica vida de piedade se, podendo, não lhes tornasse possível o encontro com o Senhor na Eucaristia cada vez que caminhavam distâncias tão grandes, para vir à Paróquia.

Em todos estes trabalhos tentei fazer ressoar aos ouvidos de todos o chamamento forte do Senhor à santidade pessoal e a promessa da sua ajuda. Procurei conduzir cada um à alegria da amizade pessoal com Jesus, ao uso dos meios de santificação que temos na Igreja – a Palavra de Deus, os Sacramentos e a oração –, a testemunhar Jesus na própria vida e ao apostolado com a própria família e com os amigos. Espero que Deus abençoe este trabalho com abundantes frutos de santidade e de vocações. Para mim, foi um encontro com Jesus: eu conheci Jesus nos fiéis de Makondo.

Agora estou em Roma e espero que o aprofundamento da Teologia seja um novo encontro com Jesus, que me permita servir ainda melhor os fiéis de Masaka e de toda a Igreja. Que Deus abençoe abundantemente aqueles sem a ajuda dos quais não teria sido possível este trabalho pastoral!