China: “Como manter a fé no meu país?”

03 | Maio | 2018

«Sou chinês e, pela graça de Deus, nasci numa família católica. Os meus pais e os meus avós viveram a experiência da perseguição durante a revolução cultural de Mao (1966-1976), e por isso sabem muito bem como é difícil manter a fé; de facto, é uma graça divina. Quando era criança ajudavam-me a aprender de cor as orações para que estivesse sempre preparado para uma nova perseguição. Para nós, a fé é dar testemunho do Senhor com o sangue, ser mártir pelo Senhor. Muitíssimos sacerdotes deram a vida pela fé. Descobri a minha vocação graças à Comunhão frequente. Entrei no seminário menor da diocese de Shuo Zhou, um território de missão onde a maior parte dos fiéis são pobres camponeses. Nunca me esquecerei do que nos disse um sacerdote mais velho no meu primeiro dia de seminário: "Pensam ser padres? Estão perparados para ir para a prisão?" Em 2008 entrei no seminário maior da região de Shan Xi, mas, infelizmente, dois anos depois o seminário foi fechado, pelo que para continuar os meus estudos teria que ir para Roma. Voltei à China em 2015 e no mesmo ano recebi a ordenação. Como a diocese não está reconhecida juridicamente pelo governo passamos dificuldades económicas e o meu bispo enviou-me de novo a Roma para estudar Direito Canónico. Este é o meu último ano. Estou muito agradecido pela ajuda dos benfeitores, porque sem eles não seria possível, para a minha família e para a minha diocese, formar-me bem, como sacerdote e como canonista, e voltar ao meu país para servir a Igreja».