O meu nome é Mariano Capusu, sou seminarista e venho de Angola. Em 2009, com 8 anos, tive um encontro com Bento XVI, na sua visita ao meu país, em que ele me abençoou. Quando cheguei a casa disse aos meus pais que gostava de ser como o Papa, coisa típica de criança, mas, com o tempo, aquilo passou.
Quando cheguei à altura de receber a Primeira Comunhão, o pároco, para integrar mais os candidatos na Igreja, disse que só a poderia receber quem pertencesse a algum dos grupos paroquiais; eu não pertencia a nenhum e pensei fazer-me escuteiro, mas ele chamou-me e disse-me que eu devia ser acólito. Foi como um novo recomeçar: o trato próximo com sacerdotes e bispos foi despertando em mim algo que não compreendia, mas que me fascinava, e então lembrei-me do meu desejo de infância de ser como o Papa, embora não soubesse que o Papa era também sacerdote e bispo.
Desejo servir a Igreja hoje e amanhã com zelo, amor e entrega
À medida que descobri estas coisas, senti com mais força que o Senhor me chamava. Os anos foram passando. Eu observava que alguns dos acólitos, depois de uma etapa de formação académica e de acompanhamento por parte dos sacerdotes e das equipas vocacionais, iam para um lugar chamado “seminário”. Eu não sabia o que aquilo era, mas comecei a perguntar e a sentir que talvez aquele fosse o meu lugar. Então tornei-me muito mais empenhado nas atividades da Igreja, frequentava grupos, ajudava sempre que fosse preciso nos serviços da sacristia, e cheguei a ser o formador dos acólitos.
Pouco a pouco, foi-se criando uma relação mais estreita com o pároco, acompanhava-o frequentemente a diferentes comunidades para o ajudar na Missa e na compra de coisas litúrgicas, e nesses momentos ele conversava muito comigo, explicando-me o que era o seminário, em que consistia o sacerdócio e o que era ser um sacerdote de Deus para os outros. Também procurava ajudar mais tanto em casa como no meu bairro, onde tudo se reduzia ao mundo do futebol, até que compreendi a escassez de sacerdotes: havia comunidades onde só havia uma Missa por mês ou até cada dois meses.
Então o meu pároco, sem eu saber, perguntou aos meus pais se estavam de acordo em que eu fosse para o seminário, e eles opuseram-se, e o meu pai, para me experimentar, propôs-me pedir uma bolsa para estudar um curso diferente, mas eu rejeitei porque queria ir para o seminário. Depois de alguns anos no seminário, o meu bispo chamou-me para me dizer que devia partir para Roma para completar a minha formação na Universidade Pontifícia da Santa Cruz, graças a uma bolsa.

Ao receber a notícia fiquei desconcertado e em estado de choque, ao mesmo tempo que muito feliz. Aceitei convencido de que era uma dádiva e desígnio não merecido da Providência de Deus para a minha vida e a minha formação. Assim podia vir a servir melhor a minha diocese e a Igreja Universal, e configurar-me mais plenamente com o modelo de sacerdote segundo o Sagrado Coração de Jesus. Por isso, podem contar sempre com as nossas orações diárias por vós, pelas vossas famílias e pelos vossos trabalhos e projectos. Todo este bem e este apoio
não é só para mim, mas para a Igreja que eu desejo servir hoje e amanhã com zelo, amor e entrega, graças à formação magnífica que estou a receber pela vossa generosidade.
Que Deus vos abençoe, hoje e sempre!
